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Fast Fast Forward

Venezuela: Uma Terra de Riscos e Oportunidades

Observando a escalada do caos político e econômico da Venezuela até uma crise completa, é fácil de descartar a ideia de que os investidores têm algo a ganhar lá. Embora a Venezuela seja, claramente, um mercado com muitos riscos, mudanças estão chegando e oportunidades serão criadas. Dito de outra forma, a Venezuela não tem mais para onde ir — a não ser melhorar.

O recente apagão nacional e a onda de violência são os problemas mais recentes da longa lista de distúrbios sob o regime do presidente Nicolas Maduro:

  • Hiperinflação. Em 2018, a taxa de inflação da Venezuela atingiu 80.000% — a mais alta entre todas as nações do planeta. Ela está ainda mais alta agora. Uma medida do impacto da hiperinflação: o preço de uma xícara de café em Caracas. Há um ano, ela custava menos de 1 bolívar. No início de 2019, a mesma xícara de café custava 2.800 bolívares.
  • Fome. A escassez de alimentos, água e medicamentos é generalizada, levando a uma crise humanitária.
  • Êxodo populacional. Conforme as condições se deterioraram, pelo menos 3 milhões de pessoas, 10% da população do país, fugiram.
  • Expropriação. Desde 1998, a Venezuela tem confiscado os ativos de milhares de empresas. Entre 2002 e 2015, o governo venezuelano conduziu, pelo menos, 1.322 expropriações ou nacionalizações, de acordo com a Confederação de Indústrias Venezuelanas (Conindustria), uma organização lobista empresarial.

Uma das principais causas da miséria atual da Venezuela é a profunda corrupção da burocracia estatal. O socialista Hugo Chavez, antecessor de Maduro, foi eleito em 1998 prometendo reduzir a pobreza e acabar com a corrupção. Isto não aconteceu e, infelizmente, como as receitas venezuelanas vinculadas ao petróleo dispararam, Chavez começou um processo agressivo de nacionalização de empresas. Maduro, a quem Chavez ungiu como seu sucessor, assumiu o poder em 2013 e manteve o status quo — até que o colapso dos preços do petróleo causou um duro golpe nas fortunas da Venezuela. Maduro consolidou seu poder como um ditador e iniciou uma desastrosa desvalorização da moeda em 2018, piorando muito uma situação que já era ruim.

Esperança de mudança
Por mais horríveis que as condições sejam na Venezuela no momento, sinais de mudança estão aparecendo. Em janeiro, os eleitores elegeram Juan Guaido presidente da Assembleia Nacional, controlada pela oposição. Uma coalizão internacional, que inclui Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha e Espanha, reconheceu Guaido como presidente interino e exigiu que Maduro renunciasse ao poder. Ainda mais importante: os vizinhos da Venezuela e parceiros comerciais na América Latina querem ver o país voltando a ter estabilidade.

O primeiro passo na direção da recuperação requer uma mudança dramática, passando da autocracia para um ambiente que possibilite o crescimento comercial e de investimentos. Após este ambiente existir na Venezuela, empresas e investidores precisarão de garantias para se desenvolverem novamente. Os seguros de crédito e de risco político são ferramentas importantes para fornecer estas garantias.

Diversos fatores sugerem que a Venezuela ofereça oportunidades para os próximos 6 a 18 meses. Entre eles:

  • Recursos naturais. A Venezuela continua rica em recursos, com as maiores reservas de petróleo do mundo. O país também possui gás natural, metais e minerais em abundância. Os setores de energia e mineração podem se tornar indústrias de crescimento.
  • Desenvolvimento de infraestrutura. A Venezuela tem diversas necessidades de infraestrutura, tanto em novos projetos quanto no melhoramento de ativos existentes. De rodovias a telecomunicações, há um espaço enorme para crescimento.
  • Construção. 88% da população venezuelana estão concentradas em ambientes urbanos, e o país tem cinco cidades com 1 milhão ou mais de habitantes. Projetos de construção residencial e comercial serão necessários de forma contínua.

Empresas e investidores devem refletir sobre estas oportunidades e se preparar para as mudanças que virão. Com o ambiente político certo e proteções para os investidores, uma nova Venezuela recompensará os tomadores de risco.

Um olhar sobre a região mostra histórias de sucesso, que devem encorajar quem observa a Venezuela. Brasil e Argentina, há pouco tempo, também estavam em dificuldades com seus próprios problemas econômicos. Contudo, eles já resolveram grande parte dos problemas e passaram a atrair capital novamente. Na Venezuela, a recuperação econômica não vai ocorrer da noite para o dia, mas, pela primeira vez em anos, ela parece plausível.

Daniel Riordan é presidente de Risco Político Global, Crédito e Seguro de Obrigações na AXA XL. Antes de se juntar à unidade AXA XL da XL Catlin , ele desempenhou várias funções executivas de nível sênior em risco político, propriedade corporativa global e especialidades e seguro de responsabilidade civil em uma seguradora-líder global. Ele tem uma associação de longa data com a Berne Union, servindo como presidente de 2013 a 2015.

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