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Você pagaria 18 mil libras por uma obra que, em sua essência, é pixo? Pois este é o atual preço de algumas das criações de um pichador paulistano, descoberto em 2012. Na ocasião, o artista não havia feito nenhuma obra colecionável, nem mesmo sobre papel. Mas à medida em que deu asas a sua criatividade no novo material, desenvolveu um trabalho recheado de referências aos desafios urbanos que não demorou a conquistar espaço em galerias e exposições.

Imagine quem investiu mil ou dois mil reais em alguma das primeiras obras e agora possui trabalhos de um artista que participou de bienais na Europa e é comercializado em Londres. Parece sorte, mas é simplesmente o perfil do colecionador: alguém motivado pela identificação e, às vezes, o agenciamento de novos talentos.

Embora este seja um caminho de menor investimento financeiro, exige maior capital intelectual. Não se trata apenas de despir-se de preconceitos e abrir-se ao novo, já que a história da arte está repleta de casos de rejeição e estranhamento seguidos por reconhecimento e sucesso, trata-se também de paciência para aguardar o retorno e sangue frio para resistir a eventuais dúvidas. Lembrando que, por exemplo, recentemente um mural de quase dois mil metros quadrados na lateral de um prédio em Belo Horizonte, foi alvo de inquérito policial justamente porque o artista incluiu uma borda de pixo em seu entorno.

O que leva uma pessoa a comprar um pixo ou uma dessas novas obras digitais ao invés de comprar a obra de um artista já consagrado? Aliás, o que leva uma pessoa a investir em algo com valor tão intangível e, muitas vezes, incerto, como obras de arte? Existem inúmeros fatores, além da valorização financeira. No caso do colecionador caça-talentos, o objetivo pode ser de apoiar produções emergentes ou ainda ser dono de uma parte da História. Para outros, estudar e compartilhar conhecimento também pode motivar a aquisição de peças de arte – algo que também pode ser motivado simplesmente pelo gosto estético. Comprovar status, riqueza e ascensão social são motivadores igualmente válidos. A História nos conta que Catarina, da Rússia, usava seu apreço por artes como demonstração de poder.

OLHAR: Versátil, a arte permite vários tipos de colecionismo, que variam segundo os motivos que levam uma pessoa a adquirir obras de arte.

Qual é o seu perfil enquanto colecionista?
Quando o colecionador caça-talentos avalia uma obra, ele precisa se questionar, visando identificar fatores externos a si mesmo. Por exemplo: por que o mundo precisa disso? O que consigo explicar do contexto a partir dessa obra? Quem são os precursores dessas ideias? Esta obra poder ter sido feita 20 anos atrás desse mesmo jeito? Esse artista vai me surpreender com a próxima obra? Quais riscos esse artista assume?

A recente modalidade de NFT exemplifica bem esse processo. NFT é um contrato digital baseado em blockchain que permite a emissão de um certificado único de obra digital, criando uma situação semelhante a que temos no mundo analógico. Este novo fenômeno ecoa a história da fotografia, que se consagrou como arte de alta qualidade e passível de valorização, embora tenha sido desacreditada por décadas após seu surgimento. No caso do NFT, há artistas trabalhando com transposição de linguagem, com cientistas pesquisando a comunicação entre espécies, com o pós-humanismo, a inteligência artificial e algoritmos. É preciso estudar para escolher um nicho e pesquisar, mas indubitavelmente trata-se de uma modalidade que não existia há 20 anos, que está constantemente surpreendendo e que é um fiel retrato de nosso tempo.

Já no caso da coleção particular, não basta avaliar a obra – é preciso entender o colecionador. Porque coleções particulares são o resultado de sucessivos “matches” entre a obra e o perfil do colecionador. É preciso identificar o que ele gosta, quais seus valores, os ambientes onde ficarão expostas, o que elas devem comunicar. São obras para a casa, colocadas nos ambientes cotidianos (como a sala de jantar ou um corredor) mas com valor monetário, artístico e relação com a personalidade e aspirações dos compradores. Por isso é importante checar o quanto o comprador consegue identificar o DNA da obra, o que está por trás da superfície, para avaliar se há ressonância entre a pesquisa do artista, que resultou naquela obra específica, e as preferências pessoais de quem pretende adquiri-la. Lembrando que muitas vezes por ‘perfil do colecionador’ estamos falando na conciliação de várias opiniões.

Algumas coleções particulares acabam evoluindo para uma coleção-portfólio. Se no caso do caça-talentos a questão financeira pode ser vista pela perspectiva da valorização, aqui é preciso levar em conta também o risco de desvalorização, pois esta modalidade de colecionismo é mais intensiva em capital, envolvendo obras com valor combinado que pode superar um milhão de reais. Por isso, a ficha técnica das obras elegíveis para serem adquiridas precisam ser submetidas a três categorias de considerações: aspectos culturais, financeiros e posicionamento do colecionador. Reconhecimento da obra, se ela participou de exposições nacionais e internacionais, se o artista é representado por galerias ou se há instituto dedicado a sua memória, no caso de artistas já falecidos - com esses elementos é possível conduzir uma avaliação estruturada. Esta, por sua vez, é complementada por uma dura análise financeira, cruzando dados sobre liquidez, valorização e risco – este último, integrando aspectos econômicos e culturais. Por fim, toda essa análise precisa levar em conta a perspectiva de tempo: o que a obra é hoje e o que pode vir a ser.

Como escolher o seguro de uma obra de arte?

Independente do tipo de colecionismo, o fato é que toda obra de arte precisa ser cuidada. Hoje sabemos que até mesmo fatores corriqueiros, como o simples transporte da obra para a casa do comprador, uma galeria ou museu, tem potencial para causar danos. Incêndios ou inundações (ou mesmo prosaicas goteiras) podem gerar custos consideráveis de restauração. Roubos ou avarias, por sua vez, podem comprometer o próprio valor da obra. Todos estes riscos estão além do controle do proprietário da obra. Por isso, é fundamental que ela seja protegida por uma apólice específica de seguro.

O processo de seguro é relativamente simples: ele se baseia em uma prova do valor da obra a ser segurada, como recibos de compra, atestados de originalidade e avaliações feitas por experts – itens que colecionistas têm à mão, pois fazem parte do processo de aquisição. Todos os dados da obra são auto-declarados, por isso é fundamental ter certeza da autenticidade dos certificados. A precificação da apólice leva em conta fatores como perfil do cliente, o tipo de arte, tamanho do risco, características específicas do local onde ela é mantida, entre outros itens.

As apólices de Belas Artes são geralmente subscritas com base em Todos os Riscos, ou “All Risks”, como é mundialmente conhecido, com exceção de alguns riscos excluídos, como dolo e terrorismo, por exemplo. Mas elas cobrem as obras contra roubo, incêndio, alagamento, desmoronamento etc. durante exposições, transporte e armazenamento, porém, nenhum seguro protege contra a desvalorização de mercado. É por isso que, independente do seu perfil, você também precisa sempre da assessoria de um colecionista profissional.

About the Authors:
Cristiane Porto Rodrigues é Head of Art/ Brazil da AXA XL
João Correia é historiador de arte e fundador da Collezionista (contato: hello@collezionista.com.br)

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